autolesão não suicida

Autolesão não suicida: conheça o transtorno

A autolesão não suicida (ALNS) é um transtorno pouco discutido, mas que merece muita atenção. Como o próprio nome sugere, na ALNS, as pessoas se lesionam, mas não o fazem com a pretensão de que tais atos realmente sejam letais.

Esse transtorno ocorre com mais frequência no início da adolescência e pode acometer ambos os sexos, embora seja sutilmente mais incidente em pessoas do sexo feminino. Estudos revelam que o comportamento de provocar lesões sem fins suicidas diminui com o passar do tempo, entretanto adultos também podem apresentar ALNS.

Apesar de não haver intenção de provocar danos fatais a si mesmo, pessoas com esse quadro precisam de tratamento especializado. Não há letalidade imediata, mas existe maior propensão ao suicídio em longo prazo. Sendo assim, esse tipo de autolesão jamais deve ser negligenciado.

Quer entender melhor essa condição? Veja só!

Autolesão suicida x autolesão não suicida

Ambos os tipos de autolesão são transtornos marcados por lesões que as pessoas provocam em si mesmas. O que as diferencia é o fato de que, na não suicida, o indivíduo não quer se matar.

Eles mesmos podem declarar a não intencionalidade ou, quando não declarada, é possível supor que não há o desejo de morte, porque a pessoa utiliza métodos não letais para fazer os ferimentos.

Mesmo assim, não se deve menosprezar um caso de ALNS, afinal, as tentativas não letais podem resultar em complicações sérias e até fatais. Além disso, pessoas que praticam atentados a si mesmas são mais propensas ao suicídio, embora não seja esse o desejo primário.

Autolesões não suicidas comuns

Dentre as autolesões não suicidas mais comuns, estão o ato de cortar ou furar a pele com navalha, faca, estilete, lâminas, tesouras, agulhas e outros objetos perfurocortantes. Algumas pessoas também queimam a pele, com cigarro ou vela, por exemplo.

Há casos em que os indivíduos se autolesionam diversas vezes em um único episódio, cometendo múltiplas lesões em um mesmo local. A área machucada costuma ser acessível e/ou visível, como coxas, braços, rosto e antebraço. Não há o objetivo de esconder a lesão.

A maior parte dos pacientes repete o comportamento, o que pode gerar cicatrizes marcantes.

Causas e motivações da autolesão não suicida

Não há causas e motivações comprovadas e completamente esclarecidas para a autolesão não suicida. Varia de paciente para paciente. No entanto, algumas razões possíveis são as seguintes:

  • tentativa de diminuir a ansiedade e tensão;
  • maneira de aliviar os sentimentos negativos;
  • forma de solucionar dificuldades interpessoais;
  • autopunição por arrependimentos e supostos erros;
  • jeito de chamar a atenção e pedir ajuda.

Tratamentos possíveis

Como algumas pessoas que praticam a ALNS não enxergam os atos lesivos como danosos, elas tendem a não buscar ajuda nem a procurar aconselhamento, o que é um erro.

É preciso diagnosticar o quadro e excluir o comportamento suicida, avaliar o tipo de autolesão e dar início ao tratamento adequado.

Por falar em tratamento, a abordagem terapêutica envolve psicoterapia, além de ações para tratar transtornos subjacentes, como depressão e ansiedade. Nesse caso, a medicação psicotrópica pode ser necessária.

A automedicação é contraindicada em qualquer situação de autolesão não suicida. Somente o médico pode prescrever o tipo, a dosagem e a duração do tratamento fármaco.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder os seus comentários sobre esse assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em Lucas do Rio Verde!

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Posted by Dra. Michelle Teixeira