suicídio

Fatores de risco e sinais de alerta para suicídio

Fatores de risco e sinais de alerta para suicídio

Todos os anos cerca de 11 mil pessoas se matam no Brasil. E não para por aí! Pesquisas apontam que ocorre 1 morte por suicídio a cada 46 minutos. Essa triste realidade está em toda parte. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, são mais de 800 mil casos anuais de suicídio ao redor do mundo.

Vale destacar que esses números assustadores não param de aumentar, inclusive dentre os mais jovens. Prova disso é que, na última década, a taxa de autoextermínio entre adolescentes aumentou aproximadamente 40%.

Quer conhecer quais são os principais fatores de risco e sinais de alerta para episódios desse tipo? Leia o texto e saiba mais sobre esse assunto que merece toda nossa atenção.

Fatores de risco para o suicídio

Quando se trata de saúde física e mental, um fator de risco corresponde a qualquer situação ou condição que eleve as chances de ocasionar uma doença ou agravar um estado. No caso do autoextermínio, os fatores de risco são aqueles aspectos que podem aumentar a probabilidade de alguém tirar a própria vida. A seguir, conheça os principais.

Depressão

Pessoas depressivas apresentam, sim, maiores chances de se matar, embora nem todos os indivíduos com depressão pensem em se matar ou cheguem a esse desfecho trágico. De acordo com pesquisas recentes, aproximadamente 15% dos indivíduos depressivos em estado grave chegam a praticar tal ato.

Transtorno bipolar

Você sabia que o transtorno bipolar é o distúrbio psíquico que mais leva pessoas ao suicídio? Isso mesmo! Entre 30% a 50% dos brasileiros com esse transtorno tentam se matar pelo menos 1 vez na vida. Os dados são da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). O risco é ainda mais elevado nos estados mistos, quando a pessoa mescla os sintomas de depressão com a exaltação do humor.

Dependência química

A dependência química é um incontestável fator de risco para o autoextermínio. O consumo abusivo de cigarro, álcool e outras drogas está intimamente relacionado com o comportamento suicida. Estudos revelam que os dependentes químicos possuem maiores chances de se matar, principalmente se a condição estiver associada a algum transtorno de humor.

Só para se ter ideia, o risco de cometer autoextermínio é 50% maior dentre dependentes químicos, isso porque a ingestão de drogas gera efeitos como aumento da impulsividade, descontrole emocional, agravamento de sintomas depressivos, piora a adesão a eventuais tratamentos psiquiátricos, bem como compromete a resposta terapêutica aos medicamentos.

Sinais de alerta mais comuns do suicídio

O comportamento suicida não é assintomático. Ele dá sinais e, em muitos casos, se os sintomas forem percebidos a tempo por quem convive com a pessoa, é possível impedir — ou pelo menos tentar impedir — que ela acabe com a própria vida.

Dificilmente o ato suicida acontece de uma hora para outra, sem dar pistas. Confira os indícios mais comuns de que alguém está pensando em se matar.

Mudanças comportamentais

As transformações são naturais ao longo da vida. Não é à toa que as pessoas mudam opiniões, hábitos e preferências à medida que amadurecem.

Circunstâncias como a mudança de cidade ou emprego, o término de um relacionamento ou um novo desafio podem fazer com que as pessoas adotem nova postura. Entretanto, mudanças bruscas, repentinas e sem justificativa aparente podem sinalizar que algo estava errado.

Desconfie se alguém extrovertido ficar retraído da noite para o dia ou se alguém vaidoso, de repente, deixar de se cuidar e passar a ter uma aparência desleixada.

Isolamento social

Ainda no âmbito das mudanças comportamentais, preste atenção se a pessoa que vivia cercada de amigos agora prefere se isolar. Ligue o sinal de alerta caso ela deixe de frequentar as atividades sociais, escola, trabalho, compromissos religiosos e esportivos.

Quando o indivíduo se desinteressa por coisas que antes davam prazer, esse é um forte indício de que a vida perdeu a graça para ele.

Sintomas depressivos

Quando a pessoa apresenta manifestações como tristeza profunda e persistente, desânimo, desesperança, pessimismo, baixa energia, irritabilidade, fadiga e oscilações de humor, pode ser que ela esteja pensando em se matar e chegue a atentar contra a própria vida.

Todos esses são sinais de depressão, e, como foi falado anteriormente, esse é um dos fatores de risco para o autoextermínio.

Frases de aviso

Nem sempre é alarme falso. É preciso acabar com o velho mito de que “quem quer se matar não avisa”. Em muitos casos, a pessoa avisa sim, e faz ameaças públicas a si mesma como forma de pedir socorro.

Suspeite e faça algo para intervir se alguém próximo disser que não quer mais viver, que vai tirar a própria vida, que prefere morrer que continuar sofrendo ou que não suporta mais viver.

Falsa melhora

Alguns suicidas apresentam melhora simulada, para despistar os parentes e amigos e, enfim, verem-se livres para dar continuidade ao plano de se matarem, impossibilitando desse modo que alguém aja para impedi-lo. Fique de olho se aquele amigo ou familiar que estava profundamente desesperançoso e triste, repentinamente, aparecer alegre e bem-humorado.

Esses são os principais sinais de alerta para o suicídio.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder os seus comentários sobre esse assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em Lucas do Rio Verde!

Posted by Dra. Michelle Teixeira in Todos
Suicídio entre idosos: números que só crescem

Suicídio entre idosos: números que só crescem

Pode soar estranho, mas o número de casos de suicídio entre pessoas da terceira idade aumenta a cada ano. Acredita-se, erroneamente, que um idoso já passou por muitos problemas e enfrentou a grande carga que a vida lhe ofereceu e, por isso, seria incapaz de suportar e lidar com as adversidades.  

Tal pensamento torna-se ainda mais justificado quando se comparado aos problemas e à pressão que um jovem enfrenta pela primeira vez. O índice não é alarmante apenas no Brasil: em todo o mundo, as maiores taxas, tanto de atos consumados quanto de tentativas estão entre as pessoas mais velhas. 

O Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, do Ministério da Saúde, faz um alerta sobre a faixa etária, apontando o alto índice entre idosos com mais de 70 anos. Segundo o estudo, foi registrada uma média de 8,9 mortes por 100 mil habitantes nos últimos seis anos para essa idade, sendo que a média nacional é bem menor, correspondendo a 5,5 mortes por 100 mil. 

Esse número torna-se ainda maior entre os idosos com mais de 75 anos, passando para 15 mortes, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Neste post, entenderemos um pouco mais sobre o assunto. Confira!

O que leva um idoso a cometer suicídio?

Fatores emocionais e sociais estão entre os motivos que levam uma pessoa a tirar a própria vida. Com a idade avançada, o idoso perde a sua autonomia: vai ao médico acompanhado e falam por ele. Muitas vezes, tem que morar com os filhos e perde a casa. Em outras palavras, é tratado como criança. 

Aos poucos, ele vai perdendo seu espaço. Em contrapartida, o isolamento social também é um agravante para a saúde mental do idoso. Devemos considerar que muitos já perderam seus parceiros e amigos, e as visitas de familiares tornam-se cada vez mais rápidas e esporádicas.

Outras causas que estão associadas são doenças que levam à invalidez e limitação funcional, abusos e violência física, endividamento e impacto de mortes e doenças na família. Além disso, o alcoolismo e o uso de drogas, psicoses e demências também tem a ver. De uma maneira geral, cerca de 70% dos casos de suicídio dessa faixa etária está associada à depressão. 

Buscar por ajuda é fundamental

É importante lembrar que 90% dos casos em que pessoas tiram a própria vida podem ser evitados. Por isso, a assistência psicossocial é a melhor maneira de prevenir que o idoso cometa tal ato. 

A família possui um papel fundamental diante deste cenário. É ela que dará apoio emocional e ajudará o idoso a buscar auxílio psiquiátrico. Além disso, cabe a ela mostrar às pessoas mais velhas da família que são amadas e que possuem grande utilidade. É preciso também incentivar a interação social, seja por meio de atividades ou passeios.

As facilidades da vida moderna proporcionam ao ser humano uma expectativa de vida mais longa. Em contrapartida, a falta de tempo dos familiares, aliados aos contextos sociais, como longas jornadas de trabalho dos parentes mais novos, faz com que os idosos vivam sozinhos, desencadeando transtornos, como o da depressão. 

O estado de saúde mental de um idoso, assim como a saúde física, não pode ser ignorado. O suicídio entre as pessoas mais velhas é uma realidade que precisa ser enfrentada.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em Lucas do Rio Verde!

Posted by Dra. Michelle Teixeira in Todos