O Outubro Rosa costuma lembrar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas existe um lado da doença de que se fala menos: o impacto nas emoções. Receber o diagnóstico, passar pelo tratamento e reconstruir a rotina depois são etapas que mexem com a saúde mental. Por isso, cuidar das emoções também faz parte do tratamento, e não é sinal de fraqueza pedir ajuda.
Como o Câncer de Mama Afeta as Emoções
Cada mulher vive o diagnóstico de um jeito. Ainda assim, é comum sentir medo, choque, raiva, tristeza e incerteza sobre o futuro. Em muitos casos, esses sentimentos diminuem com o tempo e com o apoio de quem está por perto.
Em outros, porém, o sofrimento se intensifica e se transforma em um quadro de ansiedade ou depressão. Uma revisão de estudos de vários países estimou que cerca de 32% das mulheres com câncer de mama apresentam depressão. Ou seja, trata-se de algo frequente, que merece atenção e tem tratamento.
Momentos de Maior Vulnerabilidade
O câncer de mama pode afetar a saúde mental em diferentes fases da jornada:
– No diagnóstico: o impacto da notícia e a espera por exames e definições costumam gerar muita ansiedade;
– Durante o tratamento: cirurgia, quimioterapia e radioterapia trazem cansaço, mudanças no corpo e na rotina;
– Com a hormonioterapia: alguns tratamentos reduzem os hormônios femininos e podem provocar sintomas parecidos com os da menopausa, como ondas de calor, insônia e alterações de humor;
– Depois do tratamento: o medo de que a doença volte pode acompanhar a mulher por muito tempo.
Sobre a relação entre hormônios e emoções, vale ler também sobre perimenopausa e saúde mental.
Autoimagem, Autoestima e Relacionamentos
Mudanças como a perda do cabelo, cicatrizes, a retirada parcial ou total da mama e alterações no peso podem afetar a forma como a mulher se vê. Além disso, a sexualidade e os relacionamentos também podem sofrer impacto.
Falar sobre isso é importante. Afinal, esses sentimentos são legítimos, e o apoio profissional ajuda a lidar com eles. Saiba mais sobre como cultivar a autoestima.
Sinais de Que É Hora de Buscar Ajuda no Câncer de Mama
Alguns sinais indicam que o sofrimento passou do esperado e precisa de cuidado especializado:
– Tristeza ou desânimo na maior parte dos dias, por mais de duas semanas;
– Perda de interesse por atividades e pessoas;
– Ansiedade constante, crises de pânico ou preocupação que não dá trégua;
– Alterações importantes no sono e no apetite;
– Dificuldade de seguir o tratamento por causa do estado emocional;
– Pensamentos de que a vida não vale a pena.
Se você tiver pensamentos de tirar a própria vida, procure ajuda imediata. O CVV atende de graça, 24 horas por dia, pelo telefone 188.
Como É o Cuidado com a Saúde Mental
Em geral, o cuidado envolve uma equipe. O psiquiatra avalia o quadro e, quando necessário, indica medicamentos. Nesse caso, a escolha leva em conta o tratamento oncológico, já que alguns remédios podem interagir com medicamentos usados contra o câncer de mama. Por isso, o psiquiatra e o oncologista trabalham juntos.
Além disso, a psicoterapia ajuda a lidar com o medo, a reorganizar a rotina e a fortalecer os recursos emocionais. Grupos de apoio, atividade física adaptada e uma boa rede de suporte também fazem diferença.
E Quem Cuida?
Familiares e parceiros também sentem o impacto do diagnóstico. Muitas vezes, eles se dedicam tanto que esquecem de si mesmos. Por isso, quem cuida também precisa de cuidado e pode buscar apoio. Veja os sinais de cansaço emocional e como evitar o esgotamento.
Para informações oficiais sobre prevenção e diagnóstico, consulte também o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Perguntas Frequentes
É normal ficar triste depois do diagnóstico de câncer de mama?
Sim. Tristeza, medo e insegurança são reações esperadas. No entanto, quando esses sentimentos são intensos, duram semanas ou atrapalham a vida e o tratamento, é hora de procurar ajuda.
Tratar a saúde mental ajuda no tratamento do câncer?
Cuidar das emoções melhora a qualidade de vida, o sono e a disposição. Também ajuda a mulher a seguir o tratamento com mais tranquilidade.
Conclusão
O câncer de mama não afeta só o corpo. O impacto emocional é real, frequente e merece tanta atenção quanto os outros cuidados. Neste Outubro Rosa, vale lembrar que buscar apoio psicológico e psiquiátrico faz parte do tratamento. Se você se identificou com o que leu, não se cobre por não estar dando conta. Dar o primeiro passo e conversar com um profissional já é uma forma de cuidado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure um profissional de saúde para avaliação individualizada.
Dra. Michelle Teixeira — Psiquiatra | CRM-MT 6864 | RQE 2971